Entrevista – Escritor e professor da cidade de Lagoa Formosa ganha dois prêmios com suas obras; um deles internacional
É Lagoa Formosa ultrapassando as linhas internacionais por meio da literatura
Lânio Gomes Braga, autor
lagoense, professor de Língua Portuguesa da Escolinha Estadual Coronel
Cristiano, natural de Monjolinho de Minas, MG, conseguiu elevar o nome de Lagoa
Formosa através de duas conquistas inéditas para o município. Ele é vencedor do
concurso de minicontos, da editora grande São Paulo, que visava promover uma
coletânea de 365 contos entre os países que falam a língua portuguesa. Neste
interim, foi o grande vencedor do gênero miniconto intitulado “UNICAMENTE”. Com
este feito, Lagoa Formosa passa a ter um representante nos países: Brasil, Cabo
Verde e Portugal. O prêmio será conferido ao autor em abril de 2026, na feira
FLIP, A principal feira literária do Rio de Janeiro, a FLIP (Festa
Literária Internacional de Paraty), que acontece na cidade histórica
de Paraty, no litoral sul do estado.
O outro prêmio foi o concurso
de poesias promovido pela Editora Comala, do estado de São Paulo, que tem como
foco a publicação de literatura contemporânea brasileira, focada em questões
sociais e desigualdades, inspirada na obra "Pedro Páramo" de Juan
Rulfo. A editora tem como abordagem processos editoriais transparentes e
humanizados, valorizando o autor e a escrita como ferramenta de reflexão e
publica diversos gêneros, como contos, crônicas, poesia e romance, com uma
presença forte no ambiente digital.

Com esta conquista, o autor Lânio
Braga passa a fazer parte do hall de escritores reconhecidos nacionalmente
através de sua poesia denominada “Alforriai”. Como premiação, o referido
escritor ganhou um exemplar do Livro que homenageia o grande Escritor, titular
da cadeira número 13 da Academia de Letras da Grande São Paulo, jornalista e
fundador do hospital e da APAE da cidade de São Caetano, na grande São Paulo,
Mário Dal’Mas e a publicação da coletânea em todo o território nacional.
Em entrevista com o próprio
autor, o escritor e professor reconhece este feito, não como instrumento de
vaidade pessoal, mas sobretudo como estímulo a outros autores, escritores e
demais cidadãos que aspiram desenvolver projetos pelo viés do grande e
necessário universo das palavras (veja vídeo).
Em suas próprias palavras,
orgulhoso de seus feitos, inspirado em sua família que já possui veia artística
e em seus professores que sempre foram estímulo para seu crescimento pessoal e
cognitivo, Lânio dedica este prêmio a toda a sua família, aos moradores e
ex-moradores de Lagoa Formosa e Monjolinho de Minas, confiando que juntos
possam crer que através da educação e da cultura, consigamos ser protagonistas
de nossas próprias histórias de vida.
CONTO VENCEDOR:
Unicamente
Era o mais lindo homem. Não
havia quem o olhasse e conseguisse desviar dele o olhar, como se não tivesse
visto o fabuloso em sua frente, apresentando-se gratuito, espetacular e
envolvente.
Contudo, a rainha tinha dele a
posse. Amava-o como amava seus anéis de diamantes. Doía-lhe o peito toda vez
que alguém o via. Era como se sua formosura fosse se despedaçando e sendo
levada como plumas de algodão ao vento. Então, por decreto irrevogável, ordenou
que todas as mulheres do reino tivessem os olhos vazados. Assim a beleza seria
unicamente sua. Incontestável e inameaçavelmente sua.
Mas por sua vez, sendo mulher, caiu nas teias de sua própria criação. E ele, suditamente, num gesto de fidelidade e submissão, tratou de furar-lhe as vistas. E o espelho tornara-se então, sua nova moradia.
POESIA VENCEDORA
Alforriai!
Alforriai, sem medo todas as
tempestades,
Todas as coisas malfazejas,
Todas as calculadas idades,
alforriai!
Alforriai, o "para
sempre",
Que ininterruptamente vem
Assombrar os medos do agora
Com as dores de outrora
E as incertezas do amanhã...
Alforrai!
Sinta que a vida não é feita
apenas de mel!
Alforriai e vede a imensidão do
céu
E com candura e coragem, sê
humano....
Alforriai os chacais do
cotidiano
As trevas de tuas viagens
Que te conduzem a ilusões...
O mundo, por todo é um tudo
incerto:
Livra-te da dor, manifestai o
teu decreto,
Alforriai, eu insisto!
Alforriai as palavras
E todos os teus desertos
E vede que a liberdade pertence
a til
Num pelourinho de puro amor,
Alforriai o medo da morte,
A tua pouca coragem, o teu
fado.
A tua inviolável sorte e tua
descomunal dor.
No cimento da nostalgia e de
tua aflição,
Alforriai tudo o que tu não
sabes
E tudo que não seja imperdoável
Todos que não sejam tocáveis
E o que não cabe em teu
coração...
Abanca o pergaminho,
Tua vontade, teu caminho,
Pega junto o teu destino
E o teu desejo de vencer,
Assenta o tinteiro e reescreva
à sua maneira
- Ainda que trêmula - mas de
forma bem certeira,
E de forma verdadeira, faça
tudo acontecer!
Não espere o vestido amarelar,
Nem o terno se manchar,
Nem os jardins se consumirem...
Antes de tua basal assinatura,
Alforriai o universo
E da vida bem cumprida,
Faze uma nova leitura!
E com audácia e confiança,
Abraça forte a mudança
Ponha-te logo a sorrir
Em tua missão mais aprazível:
Abole de tua vida o impossível
E permita-te a florir...
Alforriai de ti, tu mesmo,
Quando covardes por inteiro
Não puderdes te sentir.
E depois da alforria e
sepultada a covardia,
Sê a intensa a explosão!
É o pulsar da existência
E com deveras efervescência
Desmantela o tronco ao chão.
Fonte: Lânio Braga
