Lagamar - Rapaz investigado por incendiar conhecido durante confraternização na rural do município é preso
O incidente ocorreu na localidade de Retiro da Roça no mês de junho de 2026
O jovem de 22 anos investigado
por colocar fogo em outro rapaz da mesma idade durante uma confraternização
realizada na comunidade rural de Retiro da Roça, em Lagamar, no mês de junho
deste ano, teve a prisão preventiva cumprida na manhã desta quinta-feira (2/7).
Para o advogado da vítima, a decisão reforça o entendimento de que o caso é
tratado pela Justiça como uma tentativa de homicídio. Já a defesa do
investigado informou que recorrerá da medida e sustenta que o acusado jamais
teve a intenção de matar.
O advogado da vítima, Tiago
Alves, afirmou que os familiares receberam a notícia da prisão com sentimento
de alívio. Segundo ele, o jovem atingido pelas chamas continua internado em
estado grave no Hospital Regional Antônio Dias, em Patos de Minas, sem previsão
de alta hospitalar. Conforme relatou, a vítima vem sendo submetida a diversos
procedimentos cirúrgicos e necessita de curativos de alta complexidade,
enfrentando ainda muitas limitações, inclusive dificuldade para permanecer
sentado durante os atendimentos médicos.
Na avaliação do advogado, o
investigado poderá responder por tentativa de homicídio qualificado. Agora,
caberá ao Poder Judiciário dar continuidade ao processo, que poderá ser levado
a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Em contrapartida, o advogado de
defesa do investigado, Cássio Araújo, disse que, embora respeite a decisão
judicial, não concorda com a decretação da prisão preventiva. Ele destacou que,
desde o início da investigação, seu cliente sempre esteve à disposição da
Polícia Civil para prestar esclarecimentos. Ainda de acordo com a defesa,
durante todo esse período o jovem permaneceu em Lagamar, não tentou se esconder
e continuou morando no mesmo endereço.
O defensor também ressaltou que
o investigado sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus na perna esquerda
durante o episódio, situação que, segundo ele, o impediu de exercer normalmente
suas atividades profissionais nas últimas semanas. A defesa informou que tomará
todas as providências judiciais cabíveis para tentar revogar a prisão
preventiva.
Ao ser questionado sobre a
versão apresentada pelo investigado, Cássio Araújo explicou que, por orientação
da defesa, o cliente permanecerá em silêncio neste momento. Segundo ele, como o
jovem havia se colocado à disposição para depor, mas acabou preso antes de
prestar esclarecimentos, a estratégia será apresentar sua versão somente
durante a fase judicial da ação penal.
Mesmo sem antecipar detalhes da
linha de defesa, o advogado reafirmou que o investigado nunca teve a intenção
de matar a vítima. Como argumento, destacou que o próprio acusado também sofreu
queimaduras durante o incidente, fato que, na visão da defesa, demonstra que
ele igualmente se expôs ao risco e não agiu com o propósito de provocar a morte
do amigo.
Relembre
o caso
O fato ocorreu no dia 7 de
junho de 2026, quando os dois jovens participavam, juntamente com outras
pessoas, de uma confraternização em uma residência localizada na comunidade
rural de Retiro da Roça, no município de Lagamar.
Segundo informações divulgadas
anteriormente pelo advogado da vítima, Tiago Alves, o rapaz contou que havia
colocado uma música para tocar no celular pouco antes do ocorrido. O
investigado teria ficado incomodado com a escolha da canção por ela ter sido utilizada
anteriormente por ele em outra festa.
Ainda conforme esse relato, o
suspeito teria entrado em um quarto acompanhado da namorada e reproduzido a
mesma música em uma caixa de som do tipo "boombox", com a intenção de
disfarçar uma possível relação sexual. O episódio teria gerado brincadeiras
entre os amigos presentes.
De acordo com a versão
apresentada pela vítima, a irritação provocada por essas brincadeiras teria
motivado a ação do investigado. O jovem afirma que já estava dentro de uma
barraca quando o combustível foi lançado sobre ela. Em seguida, o suspeito
teria utilizado um isqueiro para provocar o incêndio.
O caso continua sendo apurado
pela Polícia Civil. Enquanto a vítima segue internada e em tratamento médico, o
investigado permanecerá preso preventivamente, à disposição da Justiça, até
nova decisão judicial.
Por
Hamilton Amorim
